17/09/2018

Aplicabilidades na suplementação de arginina e associações

Arginina é um aminoácido condicionalmente essencial, ou seja, o corpo é capaz de produzir, mas em determinados pacientes, conforme a necessidade metabólica, é preciso oferecer fonte exógena deste nutriente para suprir a demanda. O consumo estimado de arginina é da ordem de 3g a 6g/dia. (Shao A et al, 2008).

 

Em termos bioquímicos, a função mais conhecida da arginina é sua capacidade em ser convertida em Óxido Nítrico, um gás produzido nas células endoteliais responsável pela vasodilatação e toda saúde vascular. Entretanto, arginina é necessária para síntese de colágeno (via prolina), creatina, agmatina, poliaminas, manutenção do ciclo da uréia e liberação de hormônios (figura 1). Estudos apresentados na última década relatam ações da arginina nas áreas imunológica, gastrointestinal, estética, reprodutiva, gestacional e endocrinológica.

 

 

Figura 1 – Funções metabólicas da arginina

Fonte: Holecek M, 2016

 

Em relação à produção de óxido nítrico e capacidade vasodilatadora, Chen J (1999) testou a suplementação diária de 5g de arginina em homens com disfunção erétil, por 6 semanas, e demonstrou melhora da função sexual.

 

Outra propriedade importante da arginina via produção de óxido nítrico, é sua capacidade de promover biogênese mitocondrial, reduzindo cansaço e fadiga nos pacientes, bem como ajudando na oxidação de gordura e redução do peso corporal. Além disso, o óxido nítrico é um potente agente estimulante da fosforilação da enzima Adenosina Monofosfato Kinase (AMPK), que induz a translocação de GLUT4, ajudando a reduzir a glicemia de pacientes diabéticos, como também melhorando a sensibilidade a insulina. (figura 2) (Ueda K, 2017; Hu S, 2017).

 

Figura 2 – Modulação do metabolismo da glicose e dos lipídios a partir da arginina

Fonte: Hu S et al, 2017.

 

Arginina é um aminoácido que pode ser prescrito via suplementação também no período gestacional pois está associado a melhora do desenvolvimento e crescimento intrauterino do feto. (Tenório MB et al, 2018) Neste aspecto poder-se-ia indicar a sua suplementação associada a taurina (doses de 3g a 6g tanto de arginina quanto de taurina), já que esta também é bastante efetiva na prevenção do diabetes gestacional e pre-eclampsia, assim como no estimulo ao crescimento intrauterino do feto. (Thaeomor A, wang Y, Roysommuti S, Barker RG) Além disso, o sinergismo destes dois aminoácidos já foi testado em ratos e demonstrado sua eficácia quanto a redução da resistência a insulina, da glicemia e da pressão arterial após 4 semanas ( Feng Y 2013), como também da melhora da massa óssea. (Choi MJ et al 2013).

 

Um achado importante da arginina é sua capacidade de promover reconstrução e cicatrização de tecido, seja para feridas, escaras, pacientes queimados, pós-radioterapia ou mesmo para reduzir permeabilidade intestinal, além da melhora da imunidade intestinal (Naderpour M, 2008; Pinto FC, 2016; Kong S, 2018). Estudo realizado em camundongos demonstrou que a suplementação de arginina foi capaz de prevenir o aumento da permeabilidade intestinal e da translocação bacteriana nos animais submetidos ao exercício físico sob estresse térmico ambiental. (Costa KA et al, 2014).

 

Visto que alguns trabalhos mostram a capacidade da arginina em promover cicatrização e ter ação analgésica, seu uso pode ser indicado para praticantes de atividade física possivelmente associado a glutamina e taurina, visando recuperação da permeabilidade intestinal e recuperação da dor pós treino, melhora da distribuição de oxigênio e nutrientes pela vasodilatação, até a melhora da glicemia, pressão arterial e redução de peso.

 

Neste aspecto, o profissional prescritor pode fazer uso da suplementação para alcançar os objetivos traçados com seu cliente, com doses entre 3g a 6g/dia, com ação ainda mais efetiva quando associada a suplementação de taurina e glutamina, especialmente em pacientes gestantes, obesos, hipertensos, diabéticos, atletas, em risco de osteoporose, com disfunção erétil, apresentando cansaço crônico, imunodeprimidos e hiperalgésicos.

 

 

 FONTE: http://www.vitaforscience.com.br/single-post/2018/08/22/Aplicabilidades-na-suplementacao-de-arginina-e-associações